Maldivas 2012

Começamos a planejar esta viagem no final de 2011; eu, minha esposa e meus dois filhos Lucas (17) e Gabriel (15). A princípio ficaríamos nas Maldivas primeiro e na volta em Dubai. Após ter-mos conhecimento de que estaríamos em Dubai durante o Ramadan, mudamos a sequência, pois seria complicado o turismo. No final, favoreceu também o fato de podermos nos ambientar com a diferença de fuso horário, que é de 07 horas até Dubai e mais uma hora até as Maldivas.

 

Após 5 dias de turismo em Dubai, fomos a Al Ain visitar o parque Wadi Adventure, um parque de ondas artificiais no meio do deserto. O Sheik de Al Ain construiu este parque para o filho poder surfar após o mesmo ter feito uma viagem a Califórnia e ter se apaixonado pelo esporte. Posso garantir, com certeza que o parque da prejuízo, pois no dia em que visitamos, ficamos na água das 12:00 horas até as 15:00 sozinhos, apenas eu e meus dois filhos, pegando altas ondas (isso até chegar nas Maldivas heheee). Eles oferecem várias experiências diferentes, onde você pode escolher a onda, se quer que quebre para a direita, esquerda, no meio fechando para os dois lados, assim como a altura da onda, que vai de um metro e meio até três metros. Foi realmente uma experiência incrível e vale a pena visitar. Como não surfava desde janeiro em função de uma cirurgia no joelho (LCA), foi até bom para pegar um pouco de prática. A prancha também era nova, então mais um motivo. Essa caída na piscina foi excelente!!

 

Nas Maldivas ficamos 10 dias. 05 noites no Hudhuranfushi e 05 no Four Seasons Kuda Huraa. Desembarcamos no aeroporto de Malé às 14:00 horas, a tempo de conhecer a onda do primeiro Hotel Hudhuranfushi, (LOHI´S) uma esquerda perfeita. Mas, nosso transfer atrasou e perdemos a nossa primeira tarde de surf, chegando ao hotel no final do dia, quase 18:00 horas. Logo na chegada já ouvimos vários brasileiros na piscina, retornando do surf. Assim já fui conversar e pegar as dicas, para que na primeira hora do dia seguinte, testar as ondas de LOHI´S. Tinha muitos paulistas e cariocas, e até um carioca que está morando em Londrina!!! Isso foi incrível, conhecer surfista de Londrina nas Maldivas heeehehe… pouca gente sabe como é. Mas vamos a onda: Chegando cedo no pico depois do café da manhã, encontrei alguns brasileiros que havia conhecido na noite anterior. Foi muito bom porque a entrada no pico é complicada, a gente desce uma escada e entra em uma laje com água pela canela, vai entrando mais e quando a água está pela cintura, sai remando em direção ao canal. Não dá para furar muito as ondas, é raso e tem uma bancada de coral. Dependendo da maré, ela chega e ficar exposta. Mas depois de entrar e passar a arrebentação, fica mais fácil, é só pegar o canal e aguardar a onda perfeita entrar. No começo até pareceu difícil, na nossa primeira caída o mar tava grande, entre 06 e 08 pés, mas depois de pegar algumas, a gente se acostuma. Ela fecha perfeita para esquerda, tubular, pra que gosta de entrar no tubo, é perfeita. Eu me arrisquei em algumas mas não tive sorte, em uma delas fui jogado no fundo e cortei a mão no fundo de coral. A sorte é que foi só um ralado e nem precisei sair da água, só fiquei com a mão pra cima esperando parar de sangrar, afinal o mar é cheio de Tubas e sendo assim, melhor não arriscar. No final do primeiro dia, comecei a sentir uma dor na barriga e achei que tinha comido alguma coisa que não tinha me feito bem. No dia seguinte depois de ficar sem jantar e sem almoçar, expeli uma pedra que tinha no rim de aprox 1,2 mm . Ainda bem que tinha levado um Buscopan, foi o que me salvou. No terceiro dia, o mar estava insurfável na onda de LOHI´S. Pegamos o barco do hotel (U$ 45,00 por cabeça) e seguimos em direção a outra onda, JAIL´S BREAK, uma direita perfeita, só que como a maioria dos picos estava ruim para surfar, o local estava lotado de gente, não parava de chegar barco com surfistas, mas tendo paciência dava pra pegar algumas. No final do dia, resolvemos cair no hotel mesmo, foi perfeito, o mar estava grande mas perfeito. Teve dia em que surfamos eu meus filhos e mais uns amigos que fizemos no hotel, incrível a onda era nossa… como no hotel essa onda é exclusiva, ninguém pode surfar, só quem esta hospedado. Isso facilita muito porque tem gente entrando e saindo o dia todo da água. Nos dias seguintes o mar foi baixando e só voltou a crescer no último dia. Ficou um tamanho ótimo e surfamos muito. 

 

No último dia nesse hotel, surfamos cedo e outro barco veio nos pegar para mudarmos de hotel, dessa vez o Four Seasons Kuda Huraa. No Four S. tínhamos comprado 5 saídas com a Tropic Surf , uma agência que vende desde o hotel até as saídas de barco para surf. Neste hotel já deixamos as saídas compradas pois não teríamos outra opção no hotel. É um serviço 5 estrelas, água após o surf, toalha, parafina, protetor solar, banho de água doce e se você tiver algum problema tipo perder a prancha, você volta pro barco e eles vão pegar a sua prancha. Chegando no hotel, e que hotel (fantástico), comemos um lanche e seguimos para SULTAN´S, bom o nome já diz tudo, o mar estava muito grande nesse dia, entre 10 e 12 pés. Muitos brasileiros também, quase todos com semi gun de 6.8 a 7.4 . Eu tomei muito caldo esse dia, realmente não me dei muito bem, a onda tem um lipe fino, mas uma base larga com muita força, quando você dropa, é quase na vertical, faz o boton e acelera porque ela cava muito, posso garantir que tomei as piores vacas da minha vida, lembro de parecer uma meia dentro de uma máquina de lavar. Meus filhos apesar de estarmos usando pranchas pequenas, se deram muito bem. Nos dias seguintes o mar baixou e Maldivas mostrou a perfeição e ondas muito fácil de serem surfadas, caímos em NINJA´S, JAIL´S, SULTAN´S, cada dia em uma onda diferente.

 

Conselho pra que vai para as Maldivas:

– Leve um quiver de três pranchas, é bom colocar uma grande na bagagem nos dias em que as ondas ficarem maiores.

– No Hotel da onda de LOHI´S , o hudhuranfushi, o serviço e a comida deixam a desejar, mas a onda compensa todo resto.

– Se você acha que vai surfar sozinho e sem ser rabiado, engano seu! Nunca tive tanto problema dentro da água como nas Maldivas, por isso escolha bem a época para ir para não ter tanta gente, melhor época entre final de março e maio, e de setembro e outubro. Julho a ondulação é muito grande, mas o vento também e isso acaba prejudicando alguns picos que ficam difíceis de serem surfados. No meu último dia, surfamos JAIL´S perfeito, chegamos no pico tinham apenas dois caras na água, depois de uma hora, chegou mais um barco com uns australianos, fui rabeado 4 vezes, na última não aguentei e cravei as quilhas na borda do cara e rabeei a onda seguinte dele, ficamos quites heheheee…  

– Treine bastante, tem dias em que dependendo da maré, o surf depende só de remada. Por exemplo, teve um dia em que caímos em JAIL´S , a maré estava vazando, foram 3 horas remando sem parar.  As ondas são longas, com isso a volta para o pico é cansativa. Não tem BEACH BREAK, todos os picos são POINT BREAK isso gera um fluxo de surfistas no mesmo lugar, e alguns que não têm educação, ficam dando volta, por isso fique esperto, de preferência não vá sozinho.

 

A viagem das Maldivas foi a viagem mais cara da minha vida! As passagens já são caras e fiquei em bons hotéis, fizemos muitos passeios ( além do surf, fizemos muito turismo, nos aventuramos de Jeep e quadriciclo no deserto, fizemos rafting no parque de Al Ain, esquiamos em um parque de neve artificial em um shopping de Dubai, fizemos 2 mergulhos de cilindro e vários livre, velejamos…). Mas tem coisa na vida que não tem preço, uma delas é surfar ondas perfeitas na companhia dos filhos. No ano que vem estou querendo voltar, mas quero experimentar ficar no barco por 7 dias. Desta forma você chega no pico cedo, sem crowd e navega a noite. Depois podemos para ficar alguns dias no hotel para descansar.

 

Bom, com esse relato, estou tentando contribuir para uma viagem garantida para o paraíso das Maldivas.

LUIZ