Mentawaii 2011

alexnot

Fala galera dos Freesurfers, fala galera do Surfsauros!!! Desculpem a demora do meu relato, mas tive alguns contratempos!

Bom, ir para a Indonésia sempre foi meu maior sonho, então decidi que em 2011 eu iria. Procurei o Eric da Mentawai para me ajudar na organização dessa trip, mas infelizmente ele veio a falecer e acabei tendo que correr atrás de tudo.

Escolhi ir em Setembro por ser um período bom de ondas, fiz uma preparação física mais voltada para o surf e procurei estudar sobre o lugar antes de qualquer coisa. O período de ondas lá é de Maio a Outubro, sendo que o swell é mais forte em Junho e Julho, mas tb é bem mais crowded).

Bom, dia 13/09 embarquei para SP, fiz escala em Dubai(14horas de vôo) e logo em seguida para Jakarta(mais 8 horas de vôo), onde passei uma noite. No dia seguinte peguei outro vôo para Padang, onde o pessoal da King Millenium foi me receber. Fui direto para um Hotel encontrar com os espanhóis. Enquanto esperávamos mais um brasileiro, pegamos um “taxi” para dar uma volta pela cidade e fazer umas compras nas surfshops.

Fomos para o porto e pegamos o barco com destino a tão sonhada Mentawai. Viajamos durante dois dias até chegar em Lance’s Left, nosso primeiro pico de surf.
Estavamos tentando dormir naquele balanço todo de mar aberto, quando de repente o barco para e começa aquele barulho de corrente ancorando. Em seguida aparece nosso guia pulando dizendo que tem altas ondas. Saltamos dos beliches e saimos do barco até a proa quando nos deparamos com a visão do paraíso. Só o que contrastava um pouco com isso era a crowd. Nesse momento o paraíso deixou de ser tão “perfeito” assim. O nosso guia fala: “Galera, podem cair e fazer a cabeça. Esse é um dos picos mais tranquilos para surfar”. E nós fomos com toda vontade.

Entramos no ding aos poucos e fomos até o pico. Saltamos dele e remamos para o final da fila, a qual “deveria” ser respeitada. Na minha primeira onda, pego uma boa onda, mas não consigo passar pela primeira sessão, me fechando e jogando direto para cima da bancada. Procurem imaginar um “gato arisco” saltando em cima da bancada!!! hehehe
Me cortei todo, principalmente nos pés. Passado o primeiro sufoco, voltei para o pico pensando na merda que tinha feito caindo sem botinha(acreditei no guia que disse ser tranquilo o lugar). Continuei pegando as ondas, porém mais esperto(saindo por cima ou tentando furar a parede) até que reparei que a galera começou a se cortar tb. O clima começou a ficar tenso dentro dágua e resolvi chamar o ding para voltar pro Barco. Chegando lá, vejo uma galera limpando as feridas. Pensei comigo: “bom, não fui só eu que me cortei”. Nisso chega o último espanhol e quando olhamos para ele, estava lavado de sangue(de cima a baixo). Eu já estava mal com o balanço do barco, depois de ver a cara desse louco,quase chamei o “Hugo”. Para sorte de todos, o outro brasileiro veio gritando: “Relax guys, I’m a Doctor!!!”. Graças a Deus tinha um médico na barca e pôde cuidar do espanhol. Bem, acho que a foto já diz tudo…

Depois de reunir a galera e decidir que o gringo ficaria com a gente no barco, almoçamos, descançamos e fizemos mais uma session de surf a tarde, porém de botinha e lycra. No final do dia resolvemos ir para outro pico. Passamos a noite viajando.

No terceiro dia surfamos em Thunders, uma esquerda forte e rápida. Particularmente foi um dos picos que mais me adaptei. Depois de surfar o dia todo, retornamos ao barco e seguimos viagem.
Eu fiquei na parte de cima do barco curtindo o visual enquanto a ondulação de mar aberto nos fazia balançar parecendo até que o barco iria virar. Ao invés do esperto aqui ir para o quarto e se deitar, resolvi colocar um deck numa de minhas pranchas até que o bixo pegou. Não demorou para eu ficar “mareado”. Não preciso dizer que vomitei até o que não tinha. Nem o dramim resolveu. Para aqueles que sofrem desse mal,existem pequenos resorts para aqueles que preferem ficar em terra firme como em Lance’s, Macca’s e outros picos.

Durante a noite a gente pescava, curtia os peixes que surgiam atraídos pela luz do barco, as vezes cardumes inteiros cruzavam na nossa frente. Vimos muitas serpentes marinha, morea, peixe voador(sim, eles voavam de verdade), lagarto, lagartixas, tartarugas marinha, baleias, golfinhos, arraia, etc…

Bem, surfamos Rags Right, uma direita tranquila e boa de surfar. Isso até irmos para “The Hole”. Chegamos lá e por incrível que pareça, não tinha nenhum barco na volta. O tempo estava feio, mas com altas ondas. Chegando perto, a onda era muito maior e mais forte que aparentava ser de longe. Lembrava Teahupoo no Tahiti. A onda dava um frio na barriga. Como o tempo estava estranho, a maioria não quis cair, mas eu acabei indo com mais 3 espanhois. Custamos a pegar a primeira onda, mas os 3 espanhois estavam quebrando a vala. Deram show de surf. Eu remei um pouco mais para o rabo da onda e sai completamente adrenalisado. Até que o tempo fechou de vez e começou a cair chuva, raio, trovão e uma serração enorme, não deixando a gente ver mais o barco. Nessa hora eu realmente fiquei “cagado” com a situação, e para piorar, tentei pegar uma onda para tentar me aproximar do barco e acabei vacando! Eu cai no meio do reef e veio uma série atrás. A bancada estava muito rasa, pensei que seria varrido pra cima dela, tendo que sair pela praia. Se isso acontecesse, certamente eu ficaria todo cortado, mas felizmente consegui sair remando pelo lado do canal.
Ai os espanhois viram que a coisa tava feia e resolvemos sair os 4 juntos. Depois de toda essa tensão, nos avisaram que havia dado um tremor de terra de baixa magnitude.

Então decidimos ir para o Playground surfar as ondas perfeitas de Beng Beng, E-bay, Hideaways, ScareCrows, Telescopes, entre outras…

Abrindo um parênteses, no dia 23 de Setembro foi meu aniversário e o cozinheiro do barco preparou um bolo de aniversário pra mim. Fizemos uma festinha comemorativa com direito a muita música e bintang(lembrando que eu não bebo).

Depois de 2 dias no Playground, passamos por HT’s e só então para a tão sonhada esquerda de Macca’s. Esperamos o pulso de swell entrar no dia certo para surfar essa onda.
Ficamos fazendo a cabeça nesse pico até enjoar de tanta perfeição. Quando o pico ficou crowded demais, decidimos voltar para surfar mais uma vez Thunders e encerrar nossa boat trip. Todos nós saimos agradecidos por estarmos inteiros e vivos.

Retornamos ao porto de Padang e depois para o mesmo hotel de antes. Nos despedimos dos espanhois e fomos para o aeroporto rumo a Jakarta. Em Jakarta me despedi do carioca e do paulista e segui minha viagem para Denpasar(Bali). Passado alguns problemas na saída do aeroporto, peguei um taxi para Uluwato. Tive sorte de conseguir vaga numa pousada próxima a praia, pois cheguei a meia-noite lá. Na manhã do dia seguinte fui direto para o pico surfar outra onda que sempre quis conhecer. Chegando lá, pude ver do alto os vários picos quebrando com perfeição. Sem pensar duas vezes desci o penhasco e chegando lá embaixo percebi que a maré estava enchendo, mas na ansiedade passei entre as fendas dos rochedos, entrei no canal e remei até o pico. Comecei a pegar uma das sessões dessa onda incrível. Tinha uma sessão que ela preparava a parede e outra onde era um tubo incrível. Tinha que ficar ligado pq ela mudava de sessão rapidamente. Conforme fui pegando confiança na onda e no lugar, fui deixando a corrente de retorno me levar mais no pico para pegar mais no crítico, porém percebi que a maré estava muito cheia e as ondas estavam aumentando de tamanho. Quando entrou a série eu procurei pegar a segunda onda. Já desci botando pra parede mas vi que ela estava empinando cada vez mais até que fui ficando para trás no tubo e não consegui passar a sessão. Depois de alguns segundos revirando na bancada, consegui tomar ar até ver a onda de trás chegar. Era maior de todas e qdo tentei dar o joelhinho ela me arrancou a prancha e me revirou por mais um tempo. Eu não estava acostumado com ondas daquele tamanho. O mesmo aconteceu com a terceira, a quarta, a quinta onda… Nesse momento eu olho para trás e vejo o paredão de pedra logo atrás de mim e sei que embaixo estava a bancada. Quando veio mais uma onda eu não tive mais força pra lutar e simplesmente deixei me sacudir. Nessa hora eu rezei para todos os santos que vieram na minha cabeça, pedindo para sair dessa situação e tb para não arrebentar meu leash. Então eu olho para o lado e vejo mais uns 4 caras na mesma situação que eu. Foi ai que tirei força para continuar remando e finalmente conseguir voltar para o canal de retorno. Chegando lá eu sento na prancha para respirar e reparo que o tamanho das ondas tinha mudado e já não tinha confiança para dropar ondas daquele calibre. Então fiquei esperando a onda e o momento certo para remar e sair, pq se eu passasse da fenda, teria que fazer toda a volta novamente. Com a maré no ápice, a corrente fica mais forte na hora de sair, dificultando a minha vida! Então chegou o momento, remei e dropei reto em direção a fenda, usei minhas últimas forças para remar contra a corrente até conseguir sair. Subi de arrasto o penhasco e qdo chego lá em cima, vejo um salva-vidas gritando para instruir um surfista que tinha perdido a prancha. No consaço que eu estava, não fiquei para ver o desenrolar dessa história.

Chegando na pousada entrei na piscina e fiquei relaxando e relembrando tudo que passei. Pensei que não surfaria mais nesse pico, mas no dia seguinte fui de novo, porém não mais no ápice da maré cheia. Mas por outro lado tinha que cuidar com a bancada que estava bem mais rasa!

Surfei mais alguns dias em Uluwato e nos últimos 3 deixei para passear e conhecer os templos.

Conheci mais 3 cariocas(pai, filho e um velho amigo), alugamos um carro e fomos fazer o nosso roteiro. Fomos para Kuta algumas vezes, na Legian, Ubud, conhecemos templos como Tanah Lot, Templo dos macacos, Palácio Puri Saren, Rice Terrace, entre outros. Certamente o trânsito de Kuta e Padang foram os que mais chamaram a atenção. É surreal aquilo. Além de ser mão inglesa, é uma loucura. Mas o todos se respeitam e ninguém troca xingamentos. Depois que os cariocas foram embora eu aluguei uma moto para continuar conhecendo os picos.

Realmente depois de vivenciar a cultura desse povo é possível entender e sentir a magia desse lugar.

Com certeza pretendo voltar lá, mas dessa vez para surfar tb em Desert Point, a esquerda mais perfeita da Indonésia. Fica em Lombok, arquipélogo seguinte a Bali e Nias, que fica do outro lado com suas direitas perfeitas. Espero resumidamente ter passado um pouco do que vivi nessa viagem e quem quiser mais detalhes ou dicas, pode entrar em contato.

Clique aqui para ver as fotos da trip !

Grande Abraço,
Daniel Danielowski
ddanielowski@gmail.com