Costa Rica 2011 – Parte 4 & 5

Despedimos-nos de Pavones com um dia de surf pequeno, mas bem alinhado. O swell vinha baixando e após o a session matinal, batemos aquele prato e caímos na estrada. Estávamos no meio de nossa trip na Costa Rica e planejávamos chegar no inicio da noite em Santa Tereza, mas devido a algumas paradas que fizemos em alguns mirantes maravilhosos para sessões de fotos intermináveis nas mesmas poses de sempre e um monte de “pit stop’s” em lojas de souvenires, nossa! Como as mulheres gostam dessas coisas. Se dependesse dela teríamos que fretar um navio com todas aquelas bugigangas e lembrancinhas pra quem eu nem me lembrava de que existia. Será que as lembrancinhas tem esse nome pra gente se lembrar das pessoas que a gente não se lembra ou pra eles se lembrarem da gente? Ou seria pra eles se lembrarem do lugar que nos lembramos deles?… ahhh deixa pra lá.

Mas voltando aos fatos, nos atrasamos no nosso trajeto e decidimos dormir em Esterillos Oeste, no único hotel que há por lá, péssimo por sinal, sujo e muito mal administrado, fato este que nos fez logo pela manha partir para Playa Hermosa, outro surf point bem legal que fica ali do lado há uns 10 km ao norte. Estruturada e com muitas opções de restaurantes, cabinas e uma onda bem “power”. Do jeito que eu gosto.

Playa Hermosa respira e exala surf por toda parte, te faz se sentir em casa e os locais são muito gente fina. Logo de cara fui procurar um lugar pra ficar e fui surpreendido com um sujeito quase rastafári que olhou pra mim e sem que eu dissesse uma palavra gritou: “Poooorra cara! E aew mermão, beleza?”.  Eu disse; fala mermão tu é brasileiro? Foi quando ele me falou em espanhol que não, mas que tinha aprendido aquelas duas únicas frases em português. Eu falei: Mas como você sabia que eu era brasileiro? Ele só deu uma risadinha irônica e não me respondeu. Até hoje tô com a pulga atrás da orelha. Esse camarada é o Jorge Ratin, um local muito figura que saúda a todos com um sonoro “YEAH BODY!”. Além de surfista local, professor de surf e maluco, Jorge “yeah Body” katin é dono de pelo menos três pousadas em Hermosa, as cabinas do cara são tudo de bom, sem contar que tem uma que fica com a porta do quarto direto na vala. Se vacilar, periga o cara voltar de um aéreo e cair na rede do terraço. Como eu também não tenho muito juízo, o cara foi meu parceiro de surf nos quatro dias que passei por lá. “Yeah Body” tem um monte de pôsteres autografados pela galera do WCT que ele exibe com o maior orgulho. No mar o maluco fazia mais barulho do surf, é verdade, mas tinha a maior moral com os locais e gringos.

Falando em gringos, que víamos era uma verdadeira invasão estrangeira em Hermosa, gente de toda parte do mundo e fazendo um surf de altíssimo nível, chegava a dar raiva de vez em quando. Tinha um francês que quebrava tudo e parecia ter o dom da onipresença, em toda onda que eu e o “Yeah Body” pensávamos em pegar, lá estava o francês sempre melhor colocado e com motor de popa de uns cinquenta cavalos na prancha avisando com uns gritinhos francesinhos que tava passando voado! Eu disse “VOADO”! Apesar de querer dizer mesmo outra coisa. Nosso colega “Sarcosi” nos encheu tanto a paciência que nos fez colocar no dito-cujo o carinhoso apelido de “Francês FDP”. Mas em meio a muitas risadas e zoação dropamos altas, principalmente nos dois últimos dias. A onda em Playa Hermosa é bem rápida e fechadeira, porem se o guerreiro sobreviver ao drop e por nos trilhos há tempo, dá pra desenvolver bem até a junção que na maioria das vezes costuma ser bem punk. Rola para os dois lados e o fundo é bem tranquilo. Formado de areia fina e vulcânica, que a gente sempre traz de lembrança de lá, mesmo sem querer. Passei uma semana tirando aquela areia preta do meu ouvido. Pode crer… se vacilar ainda tenho hoje.

Extra surf a Costa Rica tem uma grande diversidades de atrações. Parques ecológicos irados como Manoel Antônio, vulcões ativos e uma porrada de passeios do tipo elo perdido. Dentre os quais um chamou nossa atenção que porque havia um folder que mostrava um maluco que alimentava um crocodilo gigantesco pra quem quisesse ver. Decidimos conferir essa, mas isso é uma outra doidera que contarei no próximo relato…
 
                                                 …continua.

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