Costa Rica 2011 – Parte 1

EHHH galera… Cá estávamos nós, eu e minha mulher, dia 01 de fevereiro de 2011. Depois de meses de ansiedade estávamos prestes a embarcar para nossa primeira trip internacional. Tempo de viagem, swell, custos e recepção local eram só algumas das muitas dúvidas que nos perturbávamos. Certa vez vi escrito em bom português a frase: “A felicidade não está no destino e sim na jornada.” Frase que durante essa trip novamente veria só que em espanhol. Mas isso eu conto mais à frente.  Sendo assim curtimos ao máximo nossa jornada que apesar de cansativa foi bem interessante.

Já na conexão no Peru minha esposa mostrou pra que veio e começou a pesar nossas bagagens com suvenires das terras dos incas. Tudo de boa e após quase 22 horas de viajem, pois afinal do recife a San José foram três voos e duas conexões com dois check-in diferentes, chegamos a Costa Rica. Bagagens em mãos, alfândega e imigração de praxe, seguimos para o saguão para o contato com a locadora de veiculo. Neste ponto, eu, ainda acostumado com o aeroporto dos Guararapes fui garfado em cinco doletas por um carregador de bagagens que, sem exagero, só atravessou a rua com minhas malas. Mas passou. Com o carrinho que havíamos reservado, o tal do Daihatsu Be-Go na mão, seguimos rumo à Jácó, que era onde estávamos instalados com reserva somente neste dia. Ainda na estrada, tivemos a primeira agradável surpresa, pois as estradas estavam em estado de novas, enquanto que 101 dos 100 depoimentos que li antes da viajem falavam muito mal das estradas. Na real, as carreteiras (estradas) principais não ficam atrás das nossas no tocante ao estado e funcionalidade. Em Jacó, o que vimos foi uma “surf city” bem maneira, com toda infra que um viajante precisa, salientando positivamente a variedade de opções de comércio, gastronomia hotelaria e negativamente os preços de algumas paradas que eram bem altos.

Na própria Jacó rola altas ondas, porem nos dias que chegamos a primeira imagem foi bem decepcionante. Uma marzinho pequenino e fechadeiro bem parecido com Maracaípe-PE nos dias ruins, que fazia qualquer colocar em duvida os relatos de ondas perfeitas e surfáveis da CR. Enfim bola pra frente, parafina na prancha, acordamos cedo no dia seguinte e encontramos no mesmo hotel que estávamos um grupo de três brasucas que falaram muito bem de Boca Barranca, já que a direção do swell daqueles dias estava favorecendo aquele tipo do fundo. Mas aí veio os velhos conselhos: “Bhother, vai bem cedinho que o vento ta “punk” e quando dá uma 09:00h o pico já não fica de boa.” Disse o carioca que não ocasião nem perguntei o nome. Ai ai ai… Minha mãe sempre me deu altos conselhos e como a maioria de nós… bah tô nem aí…

Bom, saímos voados em direção ao norte, já que o Rio barranca fica bem perto dali fica o pico de Boca Barranca, só que inventamos de parar para comer, o que nos custou quase uma hora, quando chegamos ao pico já era por volta de 09:30h e após a preparação das câmeras e acomodação da patroa no estacionamento do “Segundo”, local de lá que saca os carros dos gringos e tem um espécie de chalé que é o ponto mais próximo da boca do rio onde rolam as ondas, o lugar dá uma segurança pra que vai ficar de fora d’água, pois em Boca, existem vários relatos de violência contra turistas. Por isso se vc estiver com sua dona por lá, vale muito a pena perder o apego a uns 3000 colones e deixar o carro com o Segundito, diga-se de Passagem, eh o mesmo nome do meu filho ai ficou fácil lembrar. A visão do mar era impressionante, uma esquerda de uns 5 pés que quebrava há uns 400mts de onde estávamos e que parecia interminável. Entrei naquele velho êxtase que nos é peculiar e me apressei pra cair logo no mar. Resolvi entrar pelo rio, que me parecia o caminho mais perto para o “out side”, porem já tinha lido sobre alguns ataques de crocodilo durante essa travessia, sinceramente não costumo dar ouvidos pra essas coisas (igualzinho aos conselhos), mas não vou negar um ligeiro, digamos assim, cagaço! no meio do caminho. Mas pelo visto, o bichos não estavam com fome ou eu não era tão apetitoso assim. Ahhh! Enfim o pico, nem acreditava, parecia surreal, aquelas ondas, já na primeira remada senti o peso, literalmente, do vento absurdo que soprava na direção contrária das ondas e vi que o conselho do colega de hotel valia ouro. Quando conseguia o “Drop”, o vento se encarregava de acabar com a festa. Mas mesmo assim peguei algumas ondas bem singulares e até então as mais extensas que já havia visto e surfado. Enquanto isso, minha mulher que, apesar da distância, estava bem localizada de câmera nova, tripé, banquinho, caixa térmica, cerveja, agua mineral e nenhuma experiência fotográfica, proporcionou um dos registros mais hilários de nossa viagem. Simplesmente ela entrou em pânico e começou a falar sozinha enquanto tentava me achar com o zoom da câmera, pra “ajudar” o pai do Segundito, um velho “mui escroto”, começou a botar pilha falando do perigo do mar e dos outros surfistas que viraram ração de crocodilo.

Isso é claro, só fez com que ela que já não e muito tranquila, entrasse em metamorfose e ameaçasse deixar tudo lá e sair a minha procura a nado (detalhe: ela morre afogada até na bacia se vacilar). Sorte minha que cheguei bem a tempo de impedir essa loucura. Agora vejam só, após umas horas de surf forçadíssimo e uma caminhada por cima de faixa de 200m da mais pura areia vulcânica que, meu Deus, Como aquilo é quente rapaz!! Ainda tive que acalma-la, enquanto ela, feito criança, (parecia nossa filha de 2 anos) apontava pro veio safado, e dizia: “Ele me disse que o crocodilo tinha te comido…”. EPA! AUTO LÁ! Depois de 37 anos fazendo aquela fama de mau! Essa conversa de um crocodilo me comer não pegava bem… Então em meio a risadas da geral e um pouco de frustração de minha parte e nenhuma fotinha em ação, voltamos a Jacó e vimos duas paradas iradas. Um Sushi surf bar enorme um “Bunguee Jump” de mais ou menos uns 50m de altura… mas isso eu conto na próxima parte da viajem…

 

                                                              …continua.

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