Costa Rica 2006 – Surfsauros

Com a falta de mais parceiros, partimos eu e o Ivar Licks no dia 26/11 para explorar as ondas da Costa Rica. Seguindo a dica de amigos que já estiveram na CR, escolhemos como destino inicial a península de Nicoya e Guanacaste, pois os deslocamentos (como descobrimos posteriormente) pelo país, apesar das distâncias curtas, é BEM complicado em função da má qualidade das estradas.

Chegamos em San José na noite do dia 26 e já nos esperava o pessoal da locadora Tricolor onde pegamos o nosso carro, uma Nissan X-Trail. A indicação da locadora veio pelo guia Costa Rica Surfer´s Guide, aliás, vale a pena comprar este guia. O guia é bem completo e é atualizado periódicamente. Uma dica importante é alugar um carro com tração 4×4 e também fazer uma verificação bem detalhada do estado do carro pois caso contrário a locadora pode vir a “apresentar um conta” de algum dano na lataria que passou despercebido na entrega e que vai ser cobrado na entrega. Esse Nissan X-Trail é um carro de bom tamanho e pode levar com certo conforto até 4 pessoas com bagagens. Também é importante pedir um carro com racks, mesmo que se leve um rack de fita, dada as condições das estradas, um rack fixo é mais seguro. O aluguel do carro por uma semana custou em torno de US$ 400.

A época do ano também é importante, não sei como é na época de chuvas, mas se na época da seca (que é quando fomos) as estradas são ruins, na época das chuvas acredito que elas se tornem realmente intransitáveis. Outro detalhe importante, em algumas regiões não se encontram postos de gasolina e assim, é bom manter o tanque cheio sempre que possível.

Dormimos a noite num hotel em San José e no dia seguinte pela manhã partimos em direção a Mal País. Saindo de San José, se pega a Panamericana até Punta Arenas, onde tomamos um ferry para cruzar o golfo. Aí vai mais uma dica, confira os horários de partida do ferry e tente estar em Punta Arenas uma hora antes do ferry sair, pois como descobrimos, o ferry é pequeno e não cabem muitos carros e o resultado é que perdemos 2 horas esperando pelo próximo ferry e isso nos atrasou bastante. Outra dica é não cair na conversa dos “vendedores” de espaço no ferry, eles ficam achacando na fila e pedem US$ 10 prá garantir um lugar no ferry, mas isso não existe. Tem que esperar na fila mesmo. Depois de cruzarmos o golfo (mais ou menos 1h30m) chegamos na cidade de Paquera e daí começamos a sentir a real das estradas Ticas. De Paquera até Cóbano, se vai por uma estrada asfaltada, porém com “panelas” enormes, o que faz com que não se consiga desenvolver uma velocidade boa. Dirigir pelas estradas asfaltadas da CR é como dirigir num videogame, toda hora tem que se desviar de crateras na estrada.

De Cóbano até Mal País se vai por uma estrada de terra em razoáveis condições, mais ou menos como as estradas de terra de Santa Catarina, ou talvez um pouco pior.

A natureza é exuberante nesta região, com muita selva e animais tropicais. Faz muito calor o tempo todo e um pó medonho cobre tudo. Mal País na verdade é uma região, a praia mesmo chama-se Santa Teresa. Devido ao nosso atraso no ferry, acabamos chegando as 17:00 e já escurecia (17:30 já é noite fechada), mas fomos direto ver a Playa del Carmen e tava dando altas ondas e havia uma galera surfando. Tratamos de arrumar uma pousada (depois de muita pesquisa de preço do Ivar) e optamos por ficar na Luz de Vida, que fica na beira da praia em Santa Teresa. A praia de Carmen e Santa Teresa é na verdade uma única praia extensa, com vários picos de beach-break separadas por pequenos reefs. Santa Teresa é uma rua (se é que aquilo é uma rua) de terra onde se distribui todo o comércio local. Parece muito com a Garopaba de 20 anos atrás, talvez apenas um pouco mais sofisticada. Existem pousadas com preços e condições para todos os bolsos, desde US$ 30 até US$ 150/dia. Depende do bolso e da necessidade de conforto de cada um. Uma dica aqui seria escolher uma pousada com ar-condicionado pois o calor e a humidade são desconfortáveis. Mas vamos ao surf, demos sorte nessa região, pegamos altas ondas num beach-break perto do hotel. Com água quente e um crowd bem amistoso. O interessante nesta região foi a quantidade de meninas surfando, dos 8 aos 80 anos. As ondas eram fortes e longas, mas nada assustador para um Surfsauro. Outro detalhe importante na CR é prestar atenção a tábua de marés, a variação da maré tem forte influência nos picos. Alguns deles ficavam completamente flat na maré seca (ou cheia) e rolavam boas ondas na mudança da maré.

Depois de 2 dias em Mal País, resolvemos ir para Tamarindo e levamos quase 5 horas para rodar uns 300Km. Algumas estradas estavam (ou sempre estiveram) em péssimas condições, chega a dar saudades da BR101. A favor das estradas Ticas é que elas não são movimentadas como as nossas e o pessoal é mais educado no volante.

Nossa impressão de Tamarindo não foi das melhores, parece umas Canasvieiras cheio de americanos, de todos os tipos, só que todo mundo parece querer se transformar em surfista em uma semana. Prá piorar, as ondas nessa região não estavam grande coisa, pequenas e crowdeada. Surfamos em Playa Grande, ao lado de Tamarindo, mas o mar estava pequeno e no melhor pico havia uma crowd pesada, apesar de tranquila, mas não sobravam ondas prá nós. Checamos também a Playa Langosta que fica ao lado de Tamarindo, mas também sem sucesso. Nos hospedamos num Bed&Breakfast bem simpático, a Casa Doble, administrada por um argentino gente fina (Guillermo) que nos deu algumas dicas sobre a região e as estradas.

Acabamos ficando 2 noites em Tamarindo e depois decidimos que as ondas não estavam ajudando e resolvemos ir para a região de Nosara, com uma paradinha no caminho na praia de Avellanas, onde o mar estava bem pequeno, mas é uma praia simpática e meio deserta. Tem um café ao lado do estacionamento que dá prá passar o dia, tomando cerveja, beliscando e descansando em redes. Mais uma dica, procure não deixar nada no carro enquanto se vai surfar. Havia um estacionamento com guarda em Avellanas, mas mesmo assim um carro de gringos sofreu um tentativa de arrombamento, pois eles chegaram antes do guarda chegar (antes das 7h da manhã) e tentaram arrombar o carro deles.

Depois de um surf fraquinho em Avellanas, partimos para e região de Nosara. Nosara na verdade é uma cidadezinha que fica ha uns 5Km do litoral e no entorno existem 3 praias importantes, Guiones, Nosara e Ostional. A melhor praia é Nosara, que possui uma boa infraestrutura, mas não é esculhambada como Tamarindo. Ficamos num hotel chamado Harbor Reef, que tinha uma infra boa, nos mesmos moldes de Mal País. O surf em Guiones é forte, as ondas são usualmente grandes, mas não são difíceis ou muito cavadas, a não ser na maré seca. O que chama a atenção nesta região é a quantiade de “surfsauros”. Pegamos onda ao lado de senhores de cabelos brancos que pegavam altas ondas e se jogavam nas maiores do dia. É a terra ou o mar do Longboard. Apesar da grande quantidade de surfistas, o pessoal se espalha pela praia e não tem stress, basta respeitar o pessoal e não tem maiores problemas. Uma dica interessante é contratar um fotógrafo local prá tirar fotos da sessão de surf e não ficar sem fotos do surf (como foi o nosso caso). Em Nosara tem um fotógrafo que cobra US$ 60 por uma hora de fotos, em 4 sai menos de US$ 15 por cabeça e as fotos do cara são muito boas. O site dele é Soul Arch Photograpy

Depois de mais 3 dias em Guiones, tomamos o rumo de San José, onde dormimos a última noite num hotel bem próximo ao aeroporto e no dia seguinte partimos de volta para o Brasil.

A conclusão é de que a Costa Rica é um destino altamente recomendável. Não chega a ser uma viagem barata como o Peru, mas o fato de não precisar de roupa de borracha e da grande quantidade de picos com ondas de todos os tipos e prá todos os níveis de surf, faz com que a CR seja um local a ser surfado com certeza. Chama a atenção a educação do povo e das boas condições de vida da população, diferente do que se vê usualmente em outros países da América Latina. Com pouco tempo (menos de 10 dias) diria que conhecemos apenas uma pequena região de surf, teríamos ainda a região de Jacó, Pavones e a costa do Caribe, ou seja, com tempo tem MUITO local
a ser explorado.

Aqui vão algumas observações feitas pelo Ivar:
-É um programa para quem TAMBÉM gosta de um “off road” hard.
-As estradas não são ruins, são “péssimas” (uma grande parte delas que chega nas praias).
-Alguns trechos são percorridos a +- 20km/h.
-A poeira é uma constante…
-É uma viagem “trabalhosa”, de PoA até San José = +- 9,5h mais o tempo de conexões. E ainda pegar um 4×4 com pelo menos umas 4 horinhas até o litoral (com exceção de Jacó, que é próximo).
-“Aparentemente” tem onda de tudo quanto é tamanho (dependendo da região), desde as minúsculas até o mar “grosso”.
-As ondas REALMENTE tem qualidade, pegando o tipo de mar que se gosta a “brincadeira” é muito boa.
-As regiões litorâneas tem diversos tipos de “tribos”: desde a galera jovem malandra (gurizada medonha), passando pela turistada gringa “curiosa” em aprender surf, até os “velhos sauros” congelados no tempo – algo como sessentinha… (detalhe: surfando e remando MUITO mais que os ninfetos…).
-O “clima” no line up é altamente da paz e amigável. Tem onda para todo mundo e não tem gritaria nem briga.
-A especulação imobiliária está em ALTA, as terras estão se valorizando enormemente. Tudo através dos americanos que tem acesso até lá apartir de 3h de vôo.
-Diria que esta viagem não é para “qualquer” mulher (esposa, namorada, etc…).
-O país de fato é “verdejante”, a natureza é pródiga e o litoral altamente recortado e bonito.

Destino carimbado, agora é começar a pensar na próxima …

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