Soberana dentro e fora da água

Dona de títulos almejados por qualquer surfista, Andrea Lopes é exemplo de superação e se mantém no topo.

Quem é rainha nunca perde a majestade. A surfista Andrea Lopes, 32 anos, é exemplo disso. Pegando onda desde os treze anos de idade, ela se mantém na elite do surf nacional há anos. Campeã absoluta da primeira etapa do Super Surf, ela parte para a segunda, decidida a manter a liderança.

A carioca vem acompanhando o crescimento do esporte e vibra com os resultados. Para ela, circuitos como o da Petrobrás é um grande avanço na modalidade. “Esse Circuito é inovador e um dos maiores passos na categoria”, comemora a atleta que tem contrato vitalício com a fábrica de blocos Bennett. Para ela essa evolução é fruto de muito trabalho, o interesse de meninas na moda surfwear e a procura da mídia. “É uma bola de neve, a tendência é crescer mais”.

Com um currículo invejável, Andrea é dona de títulos que enchem os olhos de qualquer jovem surfista. Suas conquistas vão desde tricampeã brasileira profissional à campeã do WCT, na etapa do Rio de Janeiro. Por sua trajetória, a surfista tem servido de espelho para muitas meninas que descobriram o esporte mais tarde.

Tais de Almeida, 21, atual campeã do Circuito Petrobrás de Surf Feminino na categoria Profissional, e segunda colocada no Super Surf, é uma das jovens surfistas que tem Andréa como exemplo. Ela, por sua vez, sempre se espelhou em meninos, mas vê Tais como um dos grandes nomes do País. “Ela precisa correr o circuito mundial logo, não pode perder tempo. O Brasil é pequeno para nós que surfamos”, aconselha.

Andrea disputou o seu primeiro circuito mundial com 17 anos. Nesse momento, ela percebeu que seu nível técnico estava bom, mas precisava aprender a competir. Os anos seguintes foram prova de seu amadurecimento profissional. A atleta chegou a entrar para as Top 16 e levava uma vida cada vez mais moderada. Muito exigente, ela entrou em um ritmo rigoroso de treino.

A surfista tinha horário para tudo, inclusive para comer. Essa atitude resultou em uma anorexia e uma crise estomacal. “Na época eu tinha 20 anos e minha auto-cobrança me esmagou”, relembra. Por conta da doença, Andréa chegou a pesar 38 Kg e foi obrigada a ficar um ano e meio longe das competições. “Fiquei louca quando me proibiram de fazer o que eu mais gostava, mas isso fez com que eu resgatasse a minha força”.

A profissional conta que a sua fase de recuperação foi diferente. Ela não estava mais focada em suas responsabilidade no circuito mundial, e sim nos seus valores de vida. “Saia para me divertir, namorava muito e surfava sem pressão”, explica. Isso fez com que Andrea voltasse a seu peso rapidamente. “Cheguei a ficar um pouco acima, mas para recuperar precisei comer sem culpa e curtir a vida”.

Com 60 Kg e de volta às competições, Andrea provou que nunca perdeu a sua soberania. Logo quando regressou às águas, foi campeã paulista e tetracampeã brasileira. Centrada, a carioca da gema mostrou que para ser rainha não bastam apenas grandes resultados. “Títulos são importantes, mas é conseqüência de dedicação, superação, humildade e principalmente cuidado com a saúde”, alerta.

“As pessoas não acreditaram quando me viram de volta”, se emociona. Hoje a atleta coloca a sua saúde em primeiro lugar e aprendeu a controlar a auto-cobrança. “Naquela época eu precisava buscar valores de vida e isso fez com que os resultados viessem naturalmente”. Atualmente, Andréa tenta combinar três características: leveza, agilidade e força. “Tenho o que preciso: agilidade e explosão”, explica.

Para manter a forma e o ritmo de treino, a profissional pratica musculação três vezes por semana, faz isometria, yôga, natação, alongamento e muito surf. Para a segunda etapa do Super Surf, que acontece entre os dias 24 e 28 de maio, Andrea diz que não mudou seu treino. “Só faço algo diferente quando tenho um intervalo longo entre as competições, isso será depois da etapa, não terei férias”.

Caminho – A estratégia da carioca nos campeonatos é não criar expectativa. Ela procura se concentrar em cada dia, cada onda e cada bateria. “Procuro estar em paz para nada atrapalhar. Surfo em sintonia com a natureza procurando o que o mar tem a me dizer, o título é conseqüência”, afirma.

Amante do mar, a atleta diz que não pensa em parar de pegar onda. “Paro de competir quando acabar o tesão por campeonatos, mas quero continuar surfando até morrer”, avisa.

Andrea, que nunca sofreu preconceito por ser surfista, ensina: “Respeitar e ser respeitada sempre”. Para ela foi normal praticar o esporte, mas percebe que sua vida tomou um rumo diferente da vida de suas amigas. “Converso com elas e vejo que umas são mães, outras têm trabalhos estressantes e o meu caminho não foi assim, porém, sou muito feliz no que faço”, festeja.

Contar toda essa história de vida em um filme será o próximo desafio da atleta, que está em busca de parcerias. Atualmente, Andrea Lopes é patrocinada pela Bennett, Miss Sirena, LuiLui, BumBum Bikinis, Central Surf e apoio da Pro-Lite e Spoletto.

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