Costa Rica 2005 – Eric Stolting

A primeira coisa a se dizer a respeito da Costa Rica é que é um país irado, com um povo festeiro e simpático, e diversas belezas naturais. A capital, San José, é uma cidade do porte de Porto Alegre, mas com grande influência externa. Tem diversos produtos importados, inclusive do Brasil. A moeda corrente é o Colón, e lá, é bom trocar a grana. O ideal é ter Dólares pra pagar os hotéis, e Colones pra pagar o resto – comida, etc… O câmbio está cerca de U$ 1,00 = ¢ 500,00, o que causa uma falsa impressão de preços baixos. Diga-se de passagem, é um país meio caro até, pois os preços são feitos para os gringos. Por exemplo, uma Coca-Cola custa ¢ 700,00 – é só fazer o câmbio pra ver que barato não é… Uma coisa fundamental pra quem vai à Costa Rica é conhecer o “pura vida”, que nada mais é do que a saudação local, uma espécie de aloha deles. Além do mais, é bom saber que eles se chamam uns aos outros de “ticos”. Então é “Ei tico, Pura vida!” a toda hora…

Gallo Pinto é o prato típico do país. É um arroz com feijão meio michuruca, que eles adoram comer no café da manhã. É tão típico, que eles servem esse troço no Burger King! Uma boa tática pra economizar, é comer alguma bolacha de manhã cedo e depois almoçar o desayuno. Ainda mais com o fuso horário de quatro horas a menos, que faz com que a fome venha lá pelas dez da matina. À noite, a opção econômica é o casado, que também é arroz com feijão – um pouco diferente, e vem com uma carne. No geral, a comida é bem parecida com a brasileira, apenas as porções que não são tão generosas. Outra coisa que também é diferente é o miojo. O temperinho é muito forte! A ceva típica é a Imperial, mas não curti muito. Parece com a Kaiser antiga! Outra coisa que é legal por lá, é que as ligações telefônicas são tão baratas que os caras dos hotéis deixam fazê-las de graça. Também dá pra comprar uma tarjeta, que não é caro. Já a internet não segue a mesma linha…

Por estar localizada no hemisfério norte, o verão na Costa Rica é em julho, mas como em todo país tropical, é sempre muito quente. Inclusive, muitos ticos chamam de verão a época seca, que é em janeiro, ou seja, o inverno vira verão. Tanto é, que a única chuva que pegamos foi quando passávamos pelas montanhas. Também, é nessa época de final de ano que a turistada vai mais. Então, esse esquema de estação fica uma confusão! Agora, falando em turistas, o que mais tem lá é americano, e todo mundo odeia eles! Isso ficava bem nítido, já que muita gente pensava que nós éramos gringos pela nossa aparência e, quando descobriam que somos brasileiros, sentavam a lenha nos EUA. E não só os costarriquenses, gente de todo o mundo falava mal deles. É um sentimento parecido com o que se tem com os argentinos que vão pra Santa Catarina. São pessoas realmente retardadas, com nomes imbecis, que se acham os únicos habitantes do mundo! E ainda vinham perguntando sobre as mulheres brasileiras, achando que pegam alguma coisa… Muito diferentes dos americanos que conheci no Peru.

Particularmente, eu acho que essa geração vai afundar tudo que eles construíram e vão terminar na lama. Mas tudo bem… Melhor lembrar dos italianos, holandeses, alemães – gente de todo o mundo que vai passear pela Costa Rica.

Ainda, devido ao pequeno tamanho do país, é possível encontrar paisagens de praias quentes e ensolaradas, separadas por pequenas distâncias de montanhas verdes, cobertas pela chamada rain forest, onde até bate um friozinho e tem sempre uma garoa. Por isso, sem dúvidas, a melhor maneira de sair por aí conhecendo a região é de carro. Mas também não é tudo tão fácil assim. Uma palavra que não existe no vocabulário deles é “tapar”. Em compensação, “buracos” eles sabem conjugar de todas as maneiras possíveis. As carreteiras perto de San José até que são boas, mas a medida que vão se afastando a coisa se complica. Existem verdadeiras crateras que eu nunca tinha visto parecido. Isso quando a estrada não é de chão batido ou de pedras, com algum rio passando bem no meio – mais pro lado do Pacífico. É! Os caras também não gostam muito de uma ponte. Por isso, apesar do aluguel ser um pouco mais caro e o consumo de combustível ser um pouco maior, vale a pena alugar um 4×4, mesmo na estação seca, porque senão o barato pode sair caro! Não só pelos atoleiros, mas também pela altura do carro. Eu, com o nosso Sidekick, passava dando risada dos coitados em seus carrinhos andando a dois por hora e ainda por cima destruindo todo o cárter! Mas olhe lá! Também não se deixe enganar pelos Terius que tem lá, pois apesar da tração, aquelas porcarias penavam bastante nas estradinhas… Assim, embora nada seja muito distante, a velocidade também não é muito alta, o que torna a viagem um pouco mais demorada do que se imagina, seja pelos buracos, pela ausência de ruas, sinalização precária, ou pelas intermináveis subidas sem pontos se ultrapassagem.
Apesar da condição das estradas, a polícia costarriquense é bem ativa. É bom estar com tudo em ordem. Tem várias blitz. Nos pararam duas vezes. Numa delas, foi logo depois de eu fazer uma ultrapassagem num retão onde era proibido. O cara me perguntou se eu tinha visto que não podia ultrapassar na linha dupla. Pronto! Foi aí que veio o velho migué do Lelo! Eu falei que no Brasil, aquela linha dupla significava que podia ultrapassar, e o policial comprou a história, hehehe! Além disso, o cara da locadora me disse pra não pagar nenhum suborno, porque eles não cobram as multas dos rent a car´s. Beleza! Outra dica boa, é que não se viaja a noite, devido ao perigo. É realmente casca! A cada morte, eles pintam um coração amarelo no local do acidente, e pra se ter uma noção, é cheio deles!
No mais, tem só que se ligar. Não deixar nada de muito valor dando sopa, seja no carro ou no hotel. Nada muito diferente do que nós estamos acostumados aqui no Brasil! Quanto ao surf, tem altas ondas! …e praticamente zero de localismo. Maiores dicas, se eu já não falei tudo, tem o “Costa Rica Surfers Guide” que El Dario nos emprestou. Ali fala tudo que se precisa! Foi de bastante ajuda.

San José.

Depois de toda a viagem, conexões e esperas, chegamos em San José já à noite. Sem ter pra onde ir, pois o não achamos o traslado do hostel que pretendíamos ficar, tivemos sorte de encontrar o Rodolfo. Um cara meio free lancer, gente boa, que nos levou pra um hotel bom, nos deu algumas dicas sobre a cidade e o país, e ainda nos arranjou um aluguel de carro barbada, que era de um amigo dele. Aliás, por lá, é tudo meio assim: “Ah! Jo tengo un amigo…”. Pois bem, na nossa primeira noite, fomos no lugar onde bomba na cidade, o “El Pueblo”. É tipo um vilarejozinho, onde as casas são lojas, restaurante e boates! Aqui se concentra toda a night da cidade, ao som de muito regaton – o ritmo da moda. É bem legal! No dia seguinte, demos uma volta pela boulevard, o centrinho da cidade, e fomos alugar o nosso carro. À primeira vista, a locadora é um pouco assustadora! É no quintal da casa do dono, numa ruazinha, atrás do aeroporto, bem na maciota. Mas no final, deu tudo certo, principalmente com a caução de U$ 500 sendo devolvida.
Nós ainda passamos outra noite capital, na escala que fizemos durante a viagem entre o Caribe e o Pacífico. Dessa vez, ficamos num outro hostel de preço convidativo, porém decente. À noite, no boulevard, tinha alta festa! Os chamados “carnavales” que eles fazem perto do Natal. Um monte de gente na rua, brincando de confete… Uma alegria só!

O lado do Caribe.

Locado o carro, pegamos a estrada com destino à Limón, mais especificamente à Playa Bonita. Fomos um pouco com o pé atrás, pois já tínhamos ouvido falar mal do lado caribenho, e ainda por cima, o dono da locadora nos disse: “É um outro país, só tem negrada!”. Depois dessa, o que viesse era lucro… Ficamos num hotelzinho meio caro, mas na beira da praia. Apesar da beleza natural do local, a previsão se confirmou. É um lugar meio faronfas! Até porque era domingo, e todo o povão de Limón deu o ar por lá… No dia seguinte, a coisa tava melhor e conseguimos aproveitar a praia. Legal! Eu dei a surfada inaugural num reef que tem no canto esquerdo do pico. Foi meio casca! Era uma onda de drop, muito forte, rápida e tubular, que quebrava muito abaixo do nível da água – vendo de fora, o surfista literalmente sumia. Além do mais, como a água tava meio turva, eu tinha a sensação de que os corais estavam perto. Pra completar a estreia, eu ainda vi dois tubarões com meio metro cada, mas que deram um medo! Ufa! Sai vivo! De qualquer forma, me pareceu melhor do que o beach break fechadeira do meio da praia ou que a onda insana do canto direito, que embora quebrasse sobre areia, era muito rápida e de frente para uns corais pontudos. Nesse mesmo dia, pegamos a estrada em direção ao sul.
Fomos costeando em busca de ondas. Passamos em Cahuita, onde tem um parque nacional bem bonito e ainda bons picos de surf. Tem altos corais que ninguém surfa, mas como não estava rolando muita coisa e o povo ainda não era o ideal, seguimos até Puerto Viejo.
Aqui sim! É um povoadinho simpático e agradável. Ficamos nas Cabinas Guaraná, de um engenheiro italiano que passou anos construindo pontes no Egito e largou tudo na Itália pra ir à Costa Rica abrir a pousada. Paolo é o nome dele. Batíamos altos papos. O cara é muito bonna gente. Ainda mais, tinha por perto belas praias como Cocles e Punta Uva, que nós curtimos bastante. Punta Uva não tem onda, é só bonito, mas em Cocles, tem uma bancada de coral com boas ondas perto de uma ilhazinha. Aqui, como a água é cristalina, o cara leva uma pressão ao ver o coral ali, logo abaixo do pé, mas com o tempo me acostumei e peguei umas boas ondinhas. Agora, tudo isso é sem contar a famosa onda de Salsa Brava, que quebra bem na frente da rua principal e dispensa comentários. Mas atenção! Antes de entrar na chamada “Pipeline do Caribe”, é bom dar uma boa estudada no mar. O caminho até o out é um por um canal em ziguezague no meio dos corais. E na volta, como é fácil perder a noção de espaço no mar, é normal ver gente saindo cambaleando pelo reef. O ideal é esperar algum local sair pra ver como se faz. Só tem que escolher bem o local, porque na minha segunda saída eu fui atrás de um loco que tava mais perdido do que eu, e saímos os dois caminhando pelo coral. Nessa daí, apesar da botinha, eu dei uma bicanca numa pedra e fiquei com o dedo inchado uma semana. Sorte que não atrapalhou o surf, mas até hoje dói um pouco. Também ganhei uns cortezinhos, que embora pequenos, doíam pacas! Mas o balanço foi bom – altas ondas! Adorei o pico!
Ainda, no centrinho da cidade, é cheio dos mais diversos restaurantes, todos muito legais. Nós achamos um tal Restaurante Oro, que era mais acessível, e foi onde eu tomei o famoso suco de tamarindo. Sempre tive vontade de provar esse suco, desde a época que dava no Chaves. É mais ou menos assim: “Suco de tamarindo, que parece com água suja e tem gosto de uva”! O clima meio “rasta”, que também me falaram como ponto negativo, fica escanteado pela enorme quantidade de turistas que tem por ali. Então, no final, posso dizer que Puerto Viejo é muito irado! Eu e a Denise adoramos os quatro dias que passamos por lá!!
Depois, voltamos à Limón pra conhecer a Isla Uvita. Pegamos o barco num lugarzinho sinistro, no subúrbio da cidade. Imagine, se o centro já é um inferninho, o que dizer da periferia… Bem, cehgando na ilha, as maravilhosas ondas que eu tinha visto nas fotos não se fizeram presentes. Então, restou apenas explorar a ilha, o que também foi bem legal! No final do dia, pegamos a estrada e voltamos à San José, porque não valia a pena ficar mais outra noite em Playa Bonita.

De Jacó à Puntarenas.

Bom, novamente saindo de San José, fomos ao trancos e barrancos pra praia mais próxima da capital. Tudo devido à péssima sinalização e a terrível estrada, que apesar de pavimentada, é estreita e mais parece uma daquelas rampas de garagem em caracol. Mas no final, até que a carretera melhora e fica boa até Quepos, que fica mais ao sul. Já na chegada da pra perceber que Jacó, que se pronuncia “racó”, faz o estilo de cidade grande – pros padrões da Costa Rica. É um lugar movimentado, cheio de lojas e restaurantes, e a galera é mais preocupada em fazer farra do que aproveitar a praia, que não é das melhores comparada às outras. Nos dois dias que ficamos pela região, fomos mais para a Playa Hermosa, que fica ao lado e tem bem mais ondas. Isso relativamente falando, porque em Jacó não tinha nada mesmo. Em Hermosa que tinha uma ondinha, beach break, pequena e perfeitinha, que quebrava bem perto da praia. Mas na real, o swell de noroeste é que não tava favorecendo. Enquanto em Guanacaste – Pacífico Norte – tinha altas ondas, ali beirava o flat. Porém, com as ondulações de sul da época úmida, tem altos picos. A própria Playa Hermosa é famosa por seus tubos gigantes. Sem contar Roca Loca, no canto sul de Jacó. Então tanto pelo movimento quanto pela ausência de ondas, reduzimos a nossa estadia no local. Mesmo assim, passamos a noite de Natal ali em Jacó. Foi bom, porque tinha bem mais opções de presentes e restaurantes para fazer a ceia natalina. E apesar do agito, é um lugarzinho legal…
Depois disso, subimos costeando até Puntarenas, onde pegamos uma Balsa que nos deixou em Paquera, prontos para explorar a península de Nicoya. No caminho conhecemos a famosa Boca Barranca, que obviamente não tinha nada de onda. Ali sim, só funciona com grandes ondulações de sul. Nessas circunstâncias, como é um pico sem beleza nenhuma, a beira da estrada, nem paramos pra descer…

Mal País, Nosara e os Rallys.

Depois de uma viagem longa desde Jacó, com direito a balsa e estradas de rally, foi uma felicidade completa chegar em Playa Carmen e ver aquele mar com altas ondas! Pra completar, achamos um hotel irado por um preço mais irado ainda! Pena que só tinha uma diária livre e nós tivemos que mudar para umas cabinas que tinham por perto. A região toda se chama Mal País, que de mal não tem nada. É tudo muito legal! Inclusive muita gente confunde, e chama a Playa Carmen de Mal País… Aqui, todos os dias rolaram clássicos! Das seis da manhã – hora que o sol nascia – até as onze e meia soprava um terralzinho fraco, que somado à água quente e ondas maravilhosas, faziam o dia ficar perfeito. Lá pelo meio dia, entrava um vento ruim – pro cara descansar sem peso na consciência – e às cinco da tarde voltava o clássico até o sol se por às seis. O mesmo acontecia com Santa Teresa – praia vizinha. Esse pico era um secret descoberto não faz muito tempo, que hoje em dia é cheio de gente. Mas apesar da crowd, o lugar tem tanta onda que nem se nota a cabeçada no mar. As ondas são tubulares e perfeitas, iguais aos desenhos que muitos faziam nos cadernos. Foi o lugar onde eu peguei mais onda! Pra completar, nem a preocupação com corais existe, porque é tudo fundo de areia! No intervalo do esporte, fazíamos passeios pela região. Sempre cuidando pra não matar os quadricíclos que lotam o lugar. Conhecemos Mal País propriamente dito e Manzanillo.
Depois de três noites, partimos pela costa, num rallyzão até Tamarindo, o que muitos diziam ser impossível, inclusive os mapas. Logo no começo, perto de Manzanillo, a estrada acaba, e o viajante é obrigado a ir pela praia – é bom a maré estar seca, pois lá no Pacífico isso faz bastante diferença. Após adivinharmos onde a estrada recomeça, ainda tivemos que passar por cinco rios de grande porte, mais uns quantos riachos. Santa estação seca! Santa tração nas quatro! Desconfiado, eu ainda perguntei pra um tico se estávamos no caminho certo. O cara me disse, com um tom de obviedade: “Es la carretera nacional!”. E assim, fomos passando e conhecendo todas as praias – Coyote, Islita, Camaronal, Sámara – até chegar em Nosara. Na real, o nome da praia é Guiones, mas muita gente chama o lugar de Nosara, por causa da cidade. A Nosara original é mais adiante, e como o acesso é difícil, passamos batidos. Tentamos arrumar um lugar pra ficar, mas estava tudo lotado. Não tinha nada livre em toda a cidade! Então, ficamos ali umas duas horinhas para eu dar o banho em Guiones – Nosara. É uma onda boa, cheia e com paredes manobráveis. O beach break parece com a Ferrugem. Agora, descarregado, seguimos o rally, passando por Ostional, Lagarto, até Tamarindo. E põe rally nisso! Foram horas por estradas tipo às do Rosa Sul.

Tamarindo e região.

Chegando em Tamarindo, a cidade estava lotada, com direito a engarrafamento e tudo. Então, ficamos no único apart que encontramos na nossa busca rápida. Apesar da quantidade de gente, o lugar não perde a beleza e nem o clima de praia. No dia seguinte, procurando pelas ruas terciárias, encontramos uma pousada irada, perto da praia, com um preço bom diante das circunstâncias. Já as ruas secundárias tinham uma curiosidade: eram de chão batido, cobertas por uma gosma, com cheiro de puxa-puxa, que servia para não levantar poeira. Depois de acomodados, passamos a conhecer as praias. O primeiro pico que eu surfei foi El Estero, em Tamarindo mesmo. É uma onda com fundo de areia, que quebra na boca do riozinho e não segura muito tamanho. Mesmo assim, rolou uma brincadeirinha. Um pouco mais pro lado, passando o beach break dos iniciantes, tem Pico Pequeño, que é onde quebra uma onda melhor. Tem dois braços de um coral de lava, que entram pra dentro do mar, e proporcionam boas direitas e esquerdas entre eles, respectivamente. Eu peguei boas ondas no canto direito, junto com uns italianos que tavam por ali. É legal e tranqüilo, só tem que cuidar com umas pedras perdidas pelo meio – na maré seca. Ainda na Playa Tamarindo, tem a Isla Capitán a dez minutos de remada, onde quebram ondas bem maiores e melhores do que na praia e inexplicavelmente, ninguém surfa. Deve ser porque tem muito iniciante por lá e os locais estão mais preocupados em faturar dando aulas. Aliás, eu estou pensando seriamente em me mudar pra lá e abrir um surf lessons. Os caras pagam trinta Dólares por aula!
Logo ao sul de Tamarindo tem a Playa Langosta. Aqui, bem na boca do rio, tem um lava-reef – comum na região – onde quebra uma boa, longa e forte direita. Dizem que esses rios que desembocam no mar são cheios de crocodilo, mas há a suspeita disso ser apenas uma lorota dos locais. O cara tem que se preocupar mais com as pedras de lava, que na maré seca chega a ficar expostas. Isso, juntamente com as rivermouths, são constante nessa região, mas é tudo ok. É bem menos crowdeado que os picos vizinhos, e muito melhor! Rolaram duas surfadas de qualidade nessa praia, incluindo a despedida, que foi de gala! Continuando a descida, tem Avellanes, uma prainha simpática, onde também tem uma onda boa, na bancada de coral com areia que tem perto do riozinho. Foi aqui, na finaleira, que eu vi uma daquelas tartarugas gigantes nadando ali, bem do meu lado, no out. Pra completar, tem Playa Negra. É uma praia bonita, que possui uma onda irada que abre pros dois lados, no meio de uma cordilheira de corais. Como todo lugar da região é tranqüilo. O maior problema é a disputa pelas olas, já que aqui elas quebram em um pico só, e a batalha é intensa…
Ficamos a maior parte do tempo por essa volta, com um intervalo de duas noites, que passamos em Playa del Coco, de onde se pega o barco para Roca Bruja. Também, foi em Tamarindo que passamos a noite do ano novo, em volta de umas fogueirinhas roots que a galera fez pela praia. Só tinha gente jovem! Foi bem legal!

Roca Bruja, Ollie’s e os tubarões.

Saindo de Tamarindo, fomos até Playa del Coco pelo caminho mais árduo, já que queríamos ir costeando para conhecer Playa Grande, Brasilito, Flamingo e Ocotal. Nessas três últimas não rola muita onda. Já em Playa Grande sim, porém necessita swell de sul. Enfim, chegamos na cidade no meio da tarde e fomos em busca de uma pousada. Depois de muita dificuldade, encontramos um lugarzinho com os três “B’s”. Faltava apenas arranjar um barco para a trip, ou melhor, gente para dividir as custas. Essa foi casca. Por sorte, encontramos dois gringos que também buscavam companhia para ir à Roca Bruja e Ollie’s Point. O ideal seria arranjar tudo de Tamarindo e ir até El Coco só para pegar o barco e depois voltar ou ficar uma noite apenas, já que neste local não dá onda. Pois bem, arranjada a companhia, fizeram parte da tripulação: eu, os dois americanos, e mais outra dupla de gringos que estavam por lá esperando pelo Capitán. A Dê preferiu conhecer o Eco Shark, um parque onde tem umas piscinas com tubarões, arraias, etc.. Tudo pronto, zarpamos as seis e meia da matina rumo à Bruja, guiados pelo Pelón – dono do barco. É muito estilo chegar de barquinho no out! Pena que não tinha muita platéia, já que o acesso de carro é dificílimo. Também não da pra ter muita noção do tamanho do mar quando se chega por trás das ondas. Mas apesar da preocupação, o mar tava bom! Eram ondas para os dois lados, fortes, rápidas e tubulares que quebravam sobre a bancada de areia, em conjunto com um ventinho terral. Tudo isso coroado pelo visual da pedra da bruxa ao fundo. O croc que dizem passear por lá não deu o ar da graça… Depois, fomos pra Ollie´s Point. É uma direita que quebra numa laje, ao pé do morro, parecida com a Silveira, e que leva esse nome por causa de um militar bad boy que azucrinava pela região e nas horas vagas pegava onda no pico. O mar não tava com um tamanho muito bom, mas eu consegui me divertir…
No dia seguinte, adiamos a volta a Tamarindo, porque o dono do parque que a Dê tinha visitado no dia anterior queria que eu tirasse umas fotos para as propagandas do negócio. Beleza! Ganhamos dois tours grátis pelo Eco Shark, e eu ainda ganhei uma camiseta. Foi muito roots tirar fotinhos com os tubarões! O bicho ainda filhote é muito forte, foi difícil de conseguir segurá-lo, é puro músculo. Por fim, apesar de perder um pouco da minha dignidade – tirando fotos de sunga – ficou a expectativa de um futuro convite para uma próxima campanha publicitária, e o melhor, com tudo pago! Espero que o parque ainda esteja aberto no ano que vem…

O caminho dos vulcões.

Encerrada a surf session, fomos conhecer os vulcões, famosos na Costa Rica. Pegamos a estrada em direção ao coração do país. Ao longo do caminho, a paisagem muda drasticamente. Saímos do calor, e chegamos em um cenário alpino, com muitos laguinhos bonitos e o frio, é claro. Bem, na chegada ao vulcão Arenal não dava pra ter uma visão muito boa por causa das nuvens. Procuramos um lugar pra ficar no microvilarejo que tem próximo a base da montanha, já que na cidade que há do outro lado – La Fortuna – não dá pra ver a lava. Pegamos um quarto mundial, com um janelão que dava de frente pro cume – olhar o vulcão era a única coisa que se podia fazer naquela povoado, não tinha mais nada! Como não tínhamos tempo, teria que rolar a visão naquela noite mesmo, mas as nuvens não estavam colaborando. Foi no meio da madruga que acordei – eu espiava de hora em hora – e vi o laranjão da lava jorrando! Muito afu!!! Com certeza valeu a pena!
No dia seguinte, fomos rumo ao vulcão Poás, no nosso caminho até o aeroporto. É um vulcão já inativo, mas que tem um laguinho verde muito bonito no meio da cratera. Mas dessa vez, o tempo não ajudou. Estava tudo encoberto, e como nesse vulcão precisava pagar para ver, demos meia volta.

Panamá, Passo Fundo e a confusão.

Depois de um chá de espera no aeroporto, causado pelo atraso de quatro horas no vôo, obviamente perdemos as duas conexões de volta pra casa. Em compensação teve seu lado bom… Eu e a Dê éramos os únicos brasileiros que tinham vacina contra a febre amarela, então fomos os únicos que puderam ir até o Panamá. E o melhor, com tudo pago!!! Não pagamos nem as taxas da imigração panamenha. Eu ainda convenci os caras da companhia a nos colocarem no vôo da noite para nós podermos conhecer um pouco desse outro país. Bem, nós chegamos no hotel e mal acreditávamos! Cinco estrelas, cassinão, o quarto todo novinho, e altas comidas! Na janta, eu vi um cubano, que também teve o mesmo “problema” que nós, comendo uns três pratos pra lá de caminhoneiro! No dia seguinte, depois da noitada de jogatina, acordamos bem cedinho, e fomos aproveitar o Panamá. Depois, de um cafezão da manha com tudo – até buffet de Sucrilhos – pegamos um taxi-city tour pra dar uma banda. A cidade é milionária! Bem mais desenvolvida do que San José. A primeira parada foi no Canal do Panamá, que é bem legal! Depois, foi a vez do iate clube, onde tem alta vista da cidade e dos “barquinhos”. Por fim, foi a vez do centro histórico, onde tem o palácio do governo e mais umas construções antigas iradas. Tudo tem a marca da influência militar. Na tarde, foi a vez de aproveitar o hotel. Tomamos banho de piscina e fizemos um spa.

Depois do almoço, às quatro da tarde, já de barriga cheia, fomos novamente pro aeroporto com o sorriso estampado no rosto. Foi aí que começou as trapalhadas, que só fomos descobrir já aqui no Brasil. Após, eles perderem, acharem e quebrarem a minha prancha, percebemos que o funcionário da COPA do Panamá tinha feito a reserva errada pro vôo de volta à Porto Alegre. E o pior é que estavam todos lotados. Por sorte, eu achei o cara que tinha me ajudado com a prancha. O cara nos arranjou um vôo que saia do outro aeroporto de São Paulo. Depois do tourzinho grátis pela cidade e de um tempão de espera, pegamos o último avião da jornada – o único livre pra Porto. Finalmente, depois da escala em Passo Fundo, nós chegamos e eu pude comer o churrasco que já tinha sido adiado duas vezes!

Obs.: As fotos do Eric estão aqui

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